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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Clarice e Bukowski



Não sou Clarice nem Bukowski
não tenho a sensibilidade de Clarice,
nem a certeza de Bukowski.
Sou eu mesma
e ser eu mesma nunca me pareceu tão insignificante.

Sou uma escritora por teimosia, não sei escrever
Bukowski escrevia para não enlouquecer,
Clarice escrevia por vocação,
eu escrevo porque não resta mais nada para fazer.

O amor é um cão dos diabos,
A hora da estrela já passou,
eu continuo aqui insistindo
não na perseverança, mas na teimosia.

A morte levou Clarice,
voltou para levar Bukowski...
eu continuo esperando.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Adeus?



A última vez que escrevi aqui pensei que fosse um recomeço,
que de alguma forma eu conseguiria manter o mesmo ritmo de postagens
que mantinha antigamente. Tolice minha, nada mais é como antigamente.
As palavras não fluem mais, os dedos não digitam com a mesma
rapidez de antes, as lágrimas não caem com a mesma facilidade.
Isso não quer dizer que eu não sinto, eu sinto sim e sinto muito.
Só não consigo mais colocar tanta coisa pesada e dolorida em palavras
sejam elas bonitas ou não.
Eu não sou uma escritora. Eu queria ser uma, mas não levo jeito.
Escrever antes era um ato de misericórdia, escrever para não enlouquecer.
Hoje escrevo por persistência, por teimosia.
É difícil aceitar que no fundo não somos bons de verdade em nada.
Tenho muito para dizer, muito para expressar, mas nenhum talento.
Bem, eu tenho um talento específico, tenho talento em me sentir
uma merda o tempo todo, sou muito boa em sentir pena de mim mesma,
sou melhor ainda para criar fantasias em cima de absurdos.
Ah, se faz de conta fosse obra de arte, eu seria uma artista.
Quando criei esse blog eu escrevia como se alguém realmente
fosse ler todas essas baboseiras, hoje escrevo em um ato quase ridículo
para dizer a mim mesma que essa é provavelmente a ultima vez
que estou escrevendo aqui.
Eu queria poder transformar esse nó na gargante em poesia,
eu queria poder transformar os soluços sufocados no travesseiro
em música, eu queria poder sentir que encontrei de alguma forma
a importância almejada, acredite, eu tentei, mas não consigo.
Minha linda tristeza nada mais é do que uma doença que não
consigo curar, o gótico que almejo é apenas uma roupa que não me
cai bem, os amigos nunca vieram e as músicas já não são mais as mesmas.
A realidade feia só se torna bonita quando escrita de forma bonita,
mas eu não sou Bukowski.
Então é isso? Adeus?
Provavelmente.
Confesso que de tempos em tempos dou uma espiadela nas baboseiras
que eu queria que fosse poesia escrita aqui. Eu espio, relembro como
eram as coisas 6 anos atrás, choro...
Isso não vai mudar, a menos que o Google decida apagar esse blog inútil
continuarei espiando.
Dentre todas as pessoas que conheço, sou quem mais dá valor
a maldita nostalgia.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Esperança





Tem alguma coisa dentro de mim  que me mantém lutando
mesmo quando toda a minha força se esvai.
Tem alguma coisa arranhando dentro de  mim,
coçando, machucando, pedindo  para ser libertada;
Uma parte de mim,  um outro eu, eu com certezas,
eu com  amor, eu repleta de sonhos.
É um veneno, uma droga, uma ferida  que jamais cicatriza.
Me mantém nesse  jogo, me mantém acreditando,
me carrega pelos braços, me mantém viva.
Uma vida meio vivida, uma vida mal  vivida,
uma vida semi morta, uma morte incompleta,
uma morte de faz-de-conta.
Essa vida me tirou tudo, mas essa  coisa, esse veneno,
essa mentira me faz continuar seguindo.
E eu me arrasto.
Porque? Para que? Como? Até quando? Eu não sei.
Eu me arrasto, eu lamento, eu espero.
Espero para viver, espero para morrer,
espero para compreender como essa coisa se mantém viva
dentro de mim quando não há alimento
em meu peito para alimentá-la.
Um maldito parasita.
Um maldito escorpião.
Esperança.

Eu Sou




Eu sou.
Eu sou exatamente o que sou, simples, complicada, sozinha.
Acompanhada de dúvidas, de dores, de tormentos, de demônios.
Eu sei quem eu sou.
Eu sei o que sou, sei também que não é comum as pessoas me amarem.
Eu sei, sei o que não sou.
Não sou amigável, não sou sociável, não sou interessante.
Não sou sustentável, sou líquida como água que escorre pelos dedos,
impossível de se manter na vida das pessoas.
Eu sou, eu sei.
Eu não sei.. porque.
Sou triste, sou solitária, sou estranha.
Sou um amontoado de sentimentos, um punhado de perguntas
e nenhuma razão. Não existe razão, nem destino.
Eu sou o nada, o silêncio que permanece quando todos param de falar,
o vazio que persiste quando as pessoas vão embora.
Eu sou a dúvida, a pergunta.
Eu sou o segredo que ninguém se interessa em desvendar.
Sou o medo, a escuridão, o vento.
Não tenho destino, não tenho planos, não tenho expectativas.
Vivo por acaso, vivo por capricho.
Vivo por medo.



sexta-feira, 30 de outubro de 2015

This is Halloween! This is Halloween!





Existe alguma parte de mim que não seja escura?
Algum lugar onde o sol brilhe e as luzes iluminem
sem que as sombras  apareçam para me amedrontar?
O tempo passa, eu continuo aqui com essas indagações sem respostas.
Veja, é Halloween novamente! Parece que foi ontem mesmo.
Eu queria parar o tempo nesse dia, ficar presa num eterno loop
e aqui permanecer eternamente.
Porque é escuro aqui dentro e esse é o dia em que ironicamente
todos usam máscaras, mas eu, pelo contrário,
posso me desfazer da minha;
Porque é sombrio aqui dentro e nesse dia quando todos brincam  com as
trevas, eu posso me sentir normal, posso parecer ser como todos são.
Eu nunca compreendi essa fascinação com o oculto,
com o escuro, com o desconhecido;
Nunca compreendi porque sempre busquei a solidão,
ou porque as pessoas sempre se mantiveram distantes de mim.
Talvez não exista resposta, ou talvez hoje seja a resposta.
31’s de Outubro chegam e vão, mas eu estou aqui neste corpo,
nesta mente, neste coração, presa em um eterno Dia das Bruxas.
Porque é triste aqui dentro e nesse dia eu não preciso esconder,
eu não preciso usar aquela máscara de farsa
com a qual não  consigo mais respirar.
Não preciso dizer que estou bem.
Porque neste dia todos os sentimentos são uma fantasia
que eu posso usar para assustar os maus espíritos que me cercam.
E eu não quero que acabe. Eu não quero que esse dia se acabe.
É a minha celebração favorita!
É aquela que se parece comigo,  aquela com a qual me identifico;
É sombria, mas pelo menos é verdadeira.
Hoje é Halloween e existem tantas histórias sobre essa data,
mas no final somos apenas um monte de humanos
tentando colocar um pouco de magia nesse mundo cinza e desbotado.
Este é o Halloween, mas no final é apenas um dia como todos os outros.
Apenas a tristeza é real, a melancolia, e as sombras que dançam
nas paredes enquanto a luz da ultima vela ainda permanece
e eu escrevo como que celebrando meu próprio ritual.
Dançando nas pontas dos pés ao som de um triste melodia as
minhas próprias cerimônias secretas.

domingo, 30 de agosto de 2015

Loucura




Quando é que a loucura começa? Como sabemos que passou dos limites?
Não existem manuais de instruções para lhe ensinar a como diagnosticar a loucura,
nem mesmo os doutores sabem dizer ao certo o que faz uma pessoa enlouquecer.

Será que estou louca? Enlouqueci de vez? Ou será que sempre fui um pouco menos
normal do que as outras pessoas? Afinal, o que é ser louco?
Seria a loucura a amplificação de todos os sentimentos humanos? O exagero?

Diagnosticada sã e perambulando em meio à sociedade, não soa um pouco intimidante?
Como prever quando a raiva irá sair do controle? Como reconhecer que todo o medo
se tornou paranoia? Como saber se a dor não vai superar o medo? E se um dia, assim
não tão distante, o mundo parecer assustador demais? E se os monstros se libertarem
de dentro da minha cabeça? E se o ódio for mais forte que a consciência? E se...?

Será que estou louca? Perdi mesmo todo o juízo? Ou talvez esse seja apenas
o resultado de uma infância traumática somada a uma vida sem sorte alguma?
Entre um gole e outro, digo que bebo para tentar esquecer, mas a verdade é que
quero sentir. E a dor nunca soou tão bonita, nunca doeu tão docemente.

O que nos trás de novo a primeira pergunta: quando é que a loucura começa?
Não deveria ser ruim sentir? Mas por mais que doa é maravilhoso sentir.
Como sabemos que passou dos limites? Eu não sei o que faz alguém enlouquecer.

Maldição, como saberia se estou enlouquecendo? Seria tudo assim tão normal?
Seria natural esse viver querendo morrer? Esse falar querendo chorar?
Seria normal o ódio que queima? A dor que rasga e o medo que não cessa?

Talvez o processo já tenha se iniciado.
Os loucos enfim não sabem que estão loucos.


segunda-feira, 20 de julho de 2015

Liberdade



Eu sempre vivi o inverno em minha vida, embora lá fora
tudo seja sempre azul e ensolarado,dentro de mim está sempre chovendo.
Meus sonhos sempre foram o meu único verão,
quando era mais jovem costumava dizer que tudo ficaria bem,
eu ainda digo, só que já não acredito mais.
A noite eu costumava fantasiar sobre o grande amor da minha vida,
eu dormia com visões dele conversando e rindo,
na verdade esses sempre foram os momentos em que eu me sentia feliz.
Eu queria ser uma cantora, mas eu não sei cantar, mas eu sei escrever,
talvez não seja tão boa, mas eu queria ser uma poetisa que coloca
seus sentimentos no papel para que outras pessoas os desfrutem.
Queria fazer algo útil com todos esses pensamentos, mas conforme
uma série de eventos desafortunados aconteciam eu vi esses sonhos
frustrados e divididos como o milhão de estrelas no céu noturno
para o qual hoje eu continuo fazendo pedidos brilhantes e quebrados.
Talvez tudo isso não importe, afinal nenhum pensamento
ou história que eu conte pode viver sem que exista alguém para lê-los.
Dizem que é preciso estar perdido para poder se encontrar. Será?
As pessoas não falam, mas sei que elas se perguntam porque sou
desse jeito, assim tão sozinha e perturbada, mas creio que não adianta
querer explicar para as pessoas que vivem suas vidas normalmente
oque é buscar uma razão para levantar da cama todas as manhãs.
Elas respiram facilmente, não sabem como é estar sempre à
procura de um lugar sossegado para descansar a cabeça.
"Eu sempre fui uma garota incomum..." - como diz Lana Del Rey,
"... minha mãe sempre me disse que tenho alma de camaleão,
nada de uma bussola moral apontando para o norte,
nenhuma personalidade fixa, apenas uma determinação interna
que era tão grande e oscilante quanto o oceano. E se eu dissesse
que não planejei isso da forma que se tornou eu estaria mentindo.
Porque eu nasci para ser a outra mulher, eu pertencia a ninguém
que pertencia a todo mundo, aquela que não tinha nada e
queria tudo; Com o fogo de cada experiência e uma obsessão pela
liberdade, que me assustava tanto a ponto de nem conseguir
fala sobre isso, me puxou para um ponto nômade de loucura
que tanto me deslumbrava quanto me deixava tonta."
Toda noite eu rezo para encontrar um significado,
eu ainda não encontrei e já faz tanto tempo.
Eu não tenho nada a perder, mas também nunca tive nada a ganhar.
Muito do que eu queria eu já não desejo mais, exceto encontrar
algum rumo para a minha vida e transformá-lo numa razão
para não mais desejar que tudo acabe.
"Viva rápido e morra jovem..." eles dizem, "... seja selvagem e divirta-se."
Eu acredito na pessoa que eu costumava ser quando era mais jovem,
eu acredito na pessoa que quero me tornar, eu só não consigo acreditar
na pessoa que hoje percorre essa estrada aberta para lugar nenhum.
Meu lema é o mesmo de sempre, "tudo vai ficar bem", e quando
estou em guerra comigo mesma eu sussurro isso como uma prece.
Quem sou eu? Estive em contato com todas as minhas fantasias
mais escuras, mas eu nunca consegui transformá-las em uma
vida para mim mesma e experimentá-las.
Eu não sei, acho que sou louca pra caramba, e no final eu
nunca consegui aquilo que mais desejei, ser livre,
conseguir me libertar de mim mesma.